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sábado, 11 de setembro de 2010

Evolução em tempos de mudanças climáticas

Os mecanismos que começaram a ser melhor compreendidos à partir da era Darwin são ainda misteriosos nos dias de hoje, mesmo para os biólogos.

O pesquisador Dr. John Alroy, da Universidade de Macquarie em Sidnei, publicou na revista Science hoje um estudo que indica o caminho bastante triste que a biodiversidade marinha segue. Um caminho em direção ao abismo chamado ‘Extinção’.

Há 150 anos, Charles Darwin publicou ‘A Origem das Espécies’, o segundo livro mais vendido no mundo, perdendo apenas para a Bíblia.

Darwin entendeu que a relação entre a vida e o ambiente não é casual, mas sim interdependente, e que a evolução das espécies está completamente ligada às mudanças que ocorrem no lugar onde estão inseridos.

Este conhecimento nos permite compreender que quando derrubamos uma árvore matamos também o macaco que estava lá, por exemplo. É assim que conseguimos desenvolver ferramentas mais eficientes para a conservação da biodiversidade.

Alroy nos mostra em seu estudo que as diversas alterações que causamos no planeta já afetam o curso da evolução da vida.

Fatores como a sobre-pesca, o aquecimento das águas oceânicas, a acidificação, os vazamentos de óleo, etc, causam uma forte pressão sobre os organismos, permitindo que alguns poucos sobrevivam, enquanto a gigantesca maioria deles caminha para uma grande extinção em massa.

E não é a primeira vez que isso acontece. Estudo feito a partir do registro fóssil dos oceanos de até 500 milhões de anos atrás revelou alguns eventos de extinção em massa que demandaram outros milhões de anos para recompor o ambiente marinho.

Com o descaso, somado da ignorância, chegamos a incríveis 75% do estoque pesqueiro comercial global em estado de sobre-pesca, ou no limite da pesca ou, ainda, em recuperação. Medidas efetivas não são tomadas para reverter esse cenário e no ritmo que anda a governança global, o futuro não será dos melhores.

Cabe então a pergunta: quantos estudos serão necessários para mudarmos nosso enorme hábito de extrativismo desenfreado? A que custo satisfazemos nosso modelo de sociedade? Seremos capazes de manter este modelo num futuro não muito distante?

Pense, reflita, mude.